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Erros comuns e boas práticas no preparo de caldas fitossanitárias

Erros comuns e boas práticas no preparo de caldas fitossanitárias

“…deve-se buscar na literatura informações sobre interações entre os princípios ativos dos produtos que serão aplicados…”

Marcelo Hilário Figueira Garcia é o químico responsável por P&D da Sell Agro, formado em química industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especialização em química de polímeros pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e em solos e nutrição de plantas pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.

Sell Agro atua na formulação e produção de adjuvantes agrícolas, com sede em Rondonópolis, Mato Grosso.

Marcelo Hilário, químico responsável por P&D da Sell Agro

– O que significa dizer que a calda de pulverização “talhou” em campo? O que deve ser feito nessa situação?

Marcelo Hilário – Significa dizer que ocorreu uma reação entre dois ou mais ingredientes da calda, levando à formação de um sólido/gel. Isso causa problemas operacionais, fazendo com que a calda não possa ser aplicada.

Antes de preparar a calda, deve-se realizar um teste de garrafa, para verificar se a reação acontece. Em caso positivo, é necessário a utilização de um agente compatibilizante que previna a reação.

– Quais os principais erros cometidos durante o preparo de caldas fitossanitárias?

Marcelo Hilário – Utilização de pouca água na pré-mistura, adição na sequência incorreta dos ingredientes da calda e pouca agitação no preparo das caldas.

– Que produtos são os mais complexos para realizar misturas? Existe uma ordem para a adição de produtos?

Marcelo Hilário – A ordem correta de adição dos produtos é baseada exatamente na complexidade dos mesmos, no que se refere à sua “dificuldade de entrar na água”. Assim, inicialmente são adicionados os sólidos, depois as suspensões concentradas, depois as emulsões, e por último as soluções e os macro e micro nutrientes.

– Que cuidados devem ser tomados para evitar a perda da eficiência dos produtos? Qual é a importância do pH e de fatores como a dureza da água?

Marcelo Hilário – Em primeiro lugar, deve-se buscar na literatura informações sobre interações entre os princípios ativos dos produtos que serão aplicados. Essas interações podem ser sinérgicas ou antagônicas. Até mesmo pode ser que não ocorra nenhuma interação, em relação à eficiência dos produtos.

A mistura de todos os produtos, cada um com seu pH próprio, gera uma calda final com um pH que deve estar em um valor que contemple a faixa ideal de pH pelo menos da maioria dos ingredientes da calda, para evitar que haja perda de eficiência por hidrólise.

A dureza da água nada mais é do que a presença de cálcio e magnésio na água. Altos valores de dureza são um risco à aplicação dos herbicidas ácidos, tais como glifosato e 2,4-D por exemplo, que se combinam com esses metais, deixando de atuar como herbicidas. Para evitar esse inconveniente, é necessário utilizar adjuvantes que contenham quelatizantes em sua formulação, para sequestrar o cálcio e o magnésio e prevenir que interajam com os herbicidas.

– Por que a limpeza dos tanques de pulverização com água sanitária é inadequada? Qual é o método correto para limpeza?

Marcelo Hilário – A água sanitária é um produto utilizado na desinfecção de superfícies. Sua composição química não garante uma correta limpeza dos tanques e equipamentos de pulverização. O método correto de limpeza é a utilização de um detergente alcalino, o qual limpa a sujeira e neutraliza os resíduos dos defensivos devido à elevação do pH da água de lavagem.

– O que diz a legislação sobre a mistura de produtos fitossanitários no tanque de pulverização?

Marcelo Hilário – A legislação atual (IN40 – MAPA – 11/2018) libera a recomendação e aplicação da mistura de produtos fitossanitários nos tanques de pulverização, devendo a mesma ser prescrita em receita agronômica por um profissional devidamente habilitado.

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